Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma
narrativa em primeira pessoa, cujo narrador é o defunto-autor, ou
seja, é um morto que narra a história com total liberdade. Essa
condição do narrador permite-lhe analisar com ironia o
comportamento humano e avaliar com auto-ironia suas próprias
atitudes. Livre e descompromissado com a sociedade, Brás Cubas
revela e analisa não só os motivos secretos de seu próprio
comportamento como também põe a nu as hipocrisias e vaidades das
pessoas com quem conviveu. Ao longo da narração mostra vários
episódios: sua paixão juvenil por Marcela, que amou durante quinze
meses e onze contos de réis; sua amizade com o filósofo maluco
Quincas Borba; os planos frustrados de seu pai em querer
encaminhá-lo para a política; seus amores clandestinos com
Virgília, esposa de seu amigo Lobo Neves. A ordem da narrativa não
é linear, pois se desnvolve deacordo com os pensamentos de Brás
Cubas. Suas reflexões apresentam-se carregadas de pessimismo e
desencanto diante da vida, questiona os valores sociais e morais
como máscaras para ocultar interesses egoístas.Irônico e provocador
ele convoca o leitor a fazer seus próprios julgamentos sobre os
fatos narrados. Brás Cubas expõe cínicamente os valores e
comportamentos de seus familiares, de seus amigos e das mulheres
com as quais se relacionou, traçando um quadro social e psicológico
em linguagem bem humorada, em que a vaidade e a hipocrisia das
relações humanas são uma constante. Julga a si prório como um
perdedor, como alguém incapaz de grandes realizações, como emplasto
que gostaria de ter descoberto para aliviar as dores da humanidade.
O balanço final de Brás Cubas sobre a existência é de pessimismo,
pois depois de uma vida que resulta em fatos negativos, em
fracassos, ele afirma ter tido um pequeno saldo; que foi o de não
possuir filhos e não ter transmitido a nenhuma criatura o legado da
miséria.
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Data de criação : 08/11/15 Última atualização : 08/11/16 18:46 / 5 Artigos publicados
